Historicos   |   Diretoria   |   Onde estamos   |   Calendario   |   Fotos   |   Materias Tecnicas   |   Links   |   Iniciantes   |   Fale conosco  |

__________________________________________________________________________ | Inicio  |




 INICIANTES

    As matérias  abaixo são do nosso querido e experiente companheiro Reinaldo Rodrigues,
    instrutor de vôo e juiz oficial de F 2B, que dá um monte de dicas para você principiante.



COMO INICIAR NO AEROMODELISMO ?

Hoje está mais fácil!

Houve um tempo que fora os custos a sorte também contava...E sorte como a minha foi conhecer um vizinho já iniciado . Atualmente, temos publicações mais numerosas sobre o assunto porém a maioria se preocupa com os "fins" esquecendo os "meios" e até o início! Abrimos qualquer revista especializada e dezenas de fotos de belos aeromodelos saltam à vista e imaginação ! Quase na totalidade de RC (aeromodelos controlados por rádio) .

Mas, as dúvidas do leitor permanecem : Como praticar? E muito caro? Posso pilotar em qualquer lugar?

Sem precisar de muito espaço mas com adrenalina de sobra, uma dica: comece no VCC.
Além de ser o melhor ponto de partida para outras modalidades ( vôo por rádio
escala, escala gigante, planadorismo , jatos ,helicópteros etc) podemos praticar em lugares pequenos esbanjando segurança! O vôo cativo, ou seja, o Vôo Circular Controlado, ou simplesmente VCC, possibilita isso com um preço extremamente baixo. Pouco investimento para muito resultado !

As instruções de vôo são gratuitas. Se você ainda não se decidiu sobre que modelo quer comprar, vai fazendo aulas com os aeromodelos da escola do Clube! Nos primeiros cinco vôos, nem combustível pedimos! Para realizar o primeiro vôo nem sócio precisa ser....Ah! claro, precisa ir até lá. O vôo de VCC é realista e a sensação de se estar no " manche" é indescritível.

Como dizem os veteranos : Comece pelo começo. Qual é então a sugestão, sobre o primeiro aeromodelo? Motor nacional, modelo pequeno ( um metro de envergadura) e sem preocupações exageradas quanto a aparência. Vejamos , um kit para iniciantes : R$ 100,00, motor R$ 130,00, jogo de cabos e bateria R$ 50,00, combustível para 25 vôos R$ 5,00 ... Somou tudo ? Se você não for afoito e seguir à risca todo o processo de aprendizagem , muito provavelmente não quebrará seu modelo nem danificará seu equipamento; então , fora o combustível esse é seu único investimento, menos de R$ 400,00 e não é tudo de uma vez !!

Após voar algum tempo um modelo de VCC, você estará familiarizado com todo o básico do aeromodelismo e a aerodinâmica , sem nenhum esforço e praticando!

Na motorização - Combustíveis, cilindradas, tipos e pesos de motores passos e diâmetros de hélices, tipos e dimensões de tanques etc.
Na escolha dos aviões: escala , velocidade, combate, corrida acrobacia etc.
Na segurança : Manuseio consciente do equipamento , respeito aos colegas e visitantes do clube , locais apropriados para cada etapa do aprendizado.
Na construção: Materiais utilizados , adesivos , madeiras e metais, planejamento , definições leitura e análise de plantas e projetos. Se você gostou da idéia e reside em Sampa, será fácil coloca-la em prática, se não, informe-se na sua cidade sobre a existência de um clube de VCC , se não existir você poderá ser o fundador! Estamos sempre dispostos a ajudar quem quer ajudar o esporte:

Todo Sábado e Domingo das 8:30 as 18:00 estamos no Ibirapuera . Se não der para voar (ventos fortes, chuva) fazemos prática e teoria de construções de projetos.

Bons Vôos


F 2B, UMA MODALIDADE APAIXONANTE

"O completo domínio da pequena máquina voadora". Eis o resumo da categoria mais praticada no VCC : A acrobacia.

Seguimos , aqui no Brasil, as normas impostas pela FAI. Estas determinam formas, altitudes e atitudes do vôo para o piloto realizar com seu modelo, em menos de sete minutos,16 manobras ( incluindo a decolagem e pouso ) que receberão notas de zero a dez por no mínimo três juízes treinados pela direção técnica da ABA.

A categoria , como todo o VCC, é considerada esporte no Brasil desde 1987. A cada dois anos , atletas classificados nas várias competições realizadas no biênio representam o Brasil no "mundial".

E´ claro que dentre outras modalidades a acrobacia é uma das que menos exige em termos financeiros, mas como em qualquer outra, para se tornar digamos competitivo, o piloto terá que dispor de muita dedicação, concentração e disponibilidade de tempo para treinar. Nenhum piloto de F 2B se forma da noite para o dia ...

Por isso aqui, como em outros países, promovemos divisões da categoria em quatro partes, são elas: INICIANTES , INTERMEDIÁRIO, MINI-FAI e FAI-OPEN. Como já disse, para se galgar os primeiros degraus na "acrobacia" é necessário pouco em equipamento mas muito em dedicação. Dick Sarpolus no seu "control line book" diz que o que separa os garotos dos homens, na acrobacia, é o vôo de dorso. Sou obrigado a concordar , e sei de muitos colegas, hoje campeões, que quebraram seus modelos em várias tentativas. Existem métodos para se alcançar o objetivo sem que ocorram acidentes. Eu pessoalmente os estou colocando em prática e vem dando certo , as quebras diminuíram muito! O dorso porém só será enfrentado na categoria INTERMEDIÁRIO". O que temos então na categoria Iniciantes?

São cinco as manobras "pontuadas" da chamada Gama de Iniciantes:
Decolagem, Wingover simples, um Looping, cinco voltas à 45º e o Pouso. Falarei em outra oportunidade, sobre cada uma , mas já adianto : Estas formam a base para quase todas as outras. O piloto iniciante ( de qualquer idade ) tem apenas uma restrição : Potência do motor . No máximo .25 . O competidor deve concluir o vôo em quatro minutos . O cronometro é aberto no pedido de "tempo" para a "Partida" (funcionamento do motor) que será pontuada com a nota máxima se o modelo deixar o solo dentro do primeiro minuto. Após as manobras e a parada do motor , o modelo deverá estar estático para o fechamento do cronômetro dentro dos quatro minutos, um centésimo a mais e o competidor perde a nota do pouso . Melhorou a motivação para sair do VCCCM (Vôo CircularControlado Completamente Monótono) ? Então treine bastante ,qualquer dúvida me procure, estarei sempre disposto para auxiliar na correção dos erros e solução de problemas que aparecerem durante o treinamento. Lembrem-se : 2005 temos Campeonato Brasileiro.


O PRIMEIRO VÔO DO MODELO

Mesmo que você já tenha experiência em VCC e que esteja praticando com frequência o esporte, tome cuidado com o vôo inaugural de sua pequena aeronave. Alguns detalhes podem passar despercebidos até para as vistas mais aguçadas! Veja esta lista:
Motorização – Nesse grupo vamos colocar : motor, hélice, tanque e seus fixadores: parafusos, arruelas e porcas.
Superfícies de comando – Flaps e profundores.
Cabos de saída (lead outs).
Cabos de comando.
Trem de pouso e bequilha.

Nada é pior do que voltar para casa com pedaços de avião que não completou sequer uma volta na pista. Isso pode ser evitado se você observar atentamente essas "dicas" que servem também de normas de segurança para o piloto, ajudante e quem mais esteja próximo!

1- Verifique a fixação do motor e se o mesmo não está voltado para dentro! Se na planta não mostrar a necessidade do" off-set " voe com atenção ,principalmente na decolagem e nas manobras acima de 45°.Se notar afrouxamento nos cabos, tente 1 ou 2° para fora ou ainda um pouco mais de leme . Hélice e spinner devem estar balanceados e muito bem afixados . Uma hélice solta ou desbalanceada pode" arrazar " uma estrutura em alguns minutos ! Tanque mal localizado é frustração na certa ... Raros os modelos com tanque posicionado de maneira inadequada ,que voam mais que alguns segundos... A saída do tubo de alimentação deve estar alinhada com o centro do venturi coincidindo com o furo do dispersor . Se após essas verificações estiver tudo correto: Trava química nas porcas!! (uma gota de bonder, só vai soltar quando a gente quiser) .

2- Se alguma superfície de comando estiver travando ou demasiado dura , não decole , descubra o defeito , essas partes são as fundamentais para o bom desempenho do avião !! Em termos de obediência, quanto mais macios estiverem os comandos melhor será!! Não dá para se gostar de avião rebelde.... Tem ainda uma coisa , se o modelo possui flaps estes devem estar no perfeito alinhamento : bordo de ataque , bordo de fuga ,flap , estabilizador e profundor ou seja tudinho zero-zero .Se após o primeiro vôo a asa interna ou externa estiver voando inclinada é possível se arranjar isso levantando ou abaixando o flap interno. Isso se chama trimagem e veremos mais tarde.

3- Os cabos que se prendem ao balancim devem ser sempre verificados , principalmente se forem do tipo rígido. No transporte é raro esses danadinhos não mostrarem deformidades, que acabam por dificultarem o trabalho de entrar e sair nos tubos guias...Cuidado!!! por vezes o modelo só tem comando para cima ou só para baixo . Já imaginou descobrir isso só após a decolagem? Saída de cabos muito à frente deixa os cabos com pouca tração ...Se você tem como regular o leadout escolha um dia sem vento para os testes e comece sempre com o distanciamento indicado na planta.

4- Faça um bom teste de tração (de 15 a 20 vezes o peso do modelo)! Isso colocará à prova todo o sistema . Dê comando positivo e negativo durante a tensão máxima .

5- O trem de pouso deve estar bem preso pelo sistema que o projeto indica , mas, não adianta só isto ,o alinhamento é importante... Visualmente devemos perceber ! Fora a estética, a funcionalidade pode salvar uma decolagem ou um pouso desastrado.... Empurre seu modelo com um pequeno impulso. Se ao perder velocidade ele se desloca ligeiramente para fora do círculo está tudo bem , Se ao contrário , faz curva para a esquerda mexa na bequilha ou no próprio trem principal corrigindo a tendência.

Espero que essas dicas sirvam para alertar os inexperientes , mexer com a memória dos veteranos e poupar alguns tubos de araldite


FORMAÇÃO , DISCIPLINA E SEGURANÇA

A segurança do vôo quem deve determinar é o piloto !! Será?? A sua disciplina de atitudes tem raízes em sua própria educação e a formação como piloto de VCC é transmitida dentro das normas que a A.B.A. determina.

Conclui-se então, que a instrução deve ser conduzida gradativamente de acordo com cada caso, isto é , o instrutor deverá ser coerente, transmitir confiança e ter boa dose de pedagogia: Idade, altura, lentidão ou rapidez nos reflexos mostram que cada ser humano tem uma maneira de tratar com as máquinas!

Além da"pilotagem" pura e simples, cuidados e critérios com a manutenção devem ser tratados desde as primeiras aulas. Para o solo e consequente licença de vôo (BRA) o instrutor deve realizar junto ao futuro "Piloto Solo" um verdadeiro cheque do equipamento ...

Mas mesmo com todos os cuidados, após o corte do "cordão umbilical" o universo dos pilotos de VCC é um reflexo de nossa sociedade. Em todos os setores, podemos encontrar negligentes e afoitos , imprudentes e irresponsáveis. Seja treinando VCC ou num veículo de verdade, voando , navegando ou rodando, a causa das estatísticas de tristes acidentes é muito mais do homem que da máquina...


PROGRAMA DE INSTRUÇÃO VCC

Objetivo
Que qualquer pessoa (sem problemas de locomoção, coordenação motora e em bom
estado de saúde) independentemente de idade sexo ou altura, consiga em10aulas-vôos monito-
radas: Decolar, executar vôo-horizontal nivelado, vôo à 45° e pousar aeromodelo próprio ou de
instrução específico (avião-escola) com toda segurança.

Estratégia
O monitor ( instrutor de vôo ) deverá ser capaz de: Em breve observação e conversa com o aluno, notar sua capacidade física, intelectual e emocional para a realização do primeiro vôo.

Após a constatação dos quesitos mínimos realizada, ir à instrução . O ideal é que o aluno já esteja posicionado no centro do círculo (careca) aguardando a manete que lhe será passada. O instrutor estará devidamente "algemado" (preso à manete de forma que esta não lhe fuja da mão).

As primeiras decolagens serão efetuadas pelo instrutor, que estará conversando com
o aluno demonstrando total segurança e domínio do modelo. Após o que a manete lhe será permi
tida . O monitor, nos primeiros vôos, deverá desencorajar "comandos" principalmente os" bruscos" e se questionado sobre estes, responderá que os esclarecimentos serão dados após o pouso.

Durante o vôo as conversas serão sempre de encorajamento e nunca de censura! Explica-se que este primeiro contato serve para:
-Teste físico . Se está sentindo tonturas ,ensinar macetes .Como caminhar ou simplesmente virar o corpo, movimentando-se apenas o necessário .
-Perceber que o vento age de diversas maneiras sobre o modelo, nos diversos quadrantes.
-Regime do motor . As maneiras de regulagem, mais ou menos apitado, a indicação de fim de tanque etc.
-Ação da força centrípeta . (puxada na manete)

Nos primeiros três minutos (maior tempo é desaconselhável) deixar claro que " comando no aero-
modelo" é para vôos futuros, o momento é de apenas sutis correções que serão assimiladas com
os próximos treinamentos.

O primeiro pouso - Da mesma forma que um comando dado na decolagem pode ser
fatal, no pouso o cuidado deve ser o mesmo, porém, quanto ao fator segurança, o risco é menor.
Sabe-se que numa decolagem precipitada ( cabrada e cristalização do piloto), o modelo com os
cabos frouxos, motor à plena e sem nenhuma possibilidade de controle, poderá adentrar o centro
do círculo, inclusive atingindo instrutor e aluno.

Já na decolagem, estando em vôo planado, basta que se peça ao aprendiz mão bem solta
e efetuaremos juntos a rampa , o arredondamento, o toque e a corrida no solo. Após a parada do
modelo aproveita-se para falar dos cabos como equipamento e mostrar a maneira ideal de retorno ao "box", com o auxílio de um ajudante ou o próprio instrutor deixa o aluno com a manete, pedindo que permaneça no círculo interno até que "reboquemos" o conjunto para a grama, quando então o modelo será deixado no solo.

Normalmente três vôos de 3 minutos são suficientes nessa primeira fase ( o instrutor
em qualquer fase, só deverá fazer "correções" se necessárias, somente com as pontas dos dedos, evitando empunhar a manete, permitindo dessa maneira que a sensação do vôo esteja sempre presente).

Após se notar que o aluno já detém o avião no " nivelado " passa-se a mostrar os diferen-
tes níveis de vôo possíveis, que planejados servem como exercícios.

Exercícios :

Serão realizados preferencialmente em dias com ventos fracos. A seqüência e maneira de execução , o instrutor deverá decidir. Exemplo:
Vôo a 30° durante duas voltas ...retorno ao nivelado (altura do ombro ) .
Vôo nivelado durante quatro voltas, subir para 30° etc.

Após a realização correta destes exercícios já se pode efetuar a decolagem conjun-
ta: Mão macia, neutralidade nos comandos e sempre repetindo: não dê comando, não
dê comando ..., e a rampa da decolagem está realizada ( a manete deve estar regulada em neutro absoluto : nem cabrada, nem picada...., futuramente o piloto escolherá a empunhadura ideal ) .

Os demais vôos serão sempre exercícios de vôos nivelados em distintos níveis, aproveitando-se para mostrar que a subida ou descida de nível deve sempre ser suave e atingido
em duas voltas ou quando a ascensão for rápida o vento deverá estar nas costas do piloto.

Os pousos deverão ainda serem monitorados até o completo domínio da "rampa" do arredondamento e do toque.

Para o vôo solo , aluno e instrutor devem estar conscientes e de pleno acordo quanto a possibilidade da realização. Por isso os pré-solos devem ser observados, ou seja : O instrutor permanece na careca mas sem interferir fisicamente no vôo. Após as primeiras voltas o
Instrutor se retira e o pouso já fica por conta do aluno.
No " solo " propriamente dito, o ideal é que o instrutor solte o aeromodelo para o futuro piloto . Dessa maneira se fechará o círculo iniciado com o primeiro contato.

Avaliação
Se no decorrer dos treinos algumas dúvidas comportamentais, inseguranças e demais problemas surgirem, estes devem ser sanados antes de se passar para fases de maior exigência. Se ainda persistirem dúvidas a Diretoria Técnica do Clube deverá ser consultada. Porém, se tudo transcorrer normalmente, o instrutor poderá até abreviar exercícios ou criar outros ficando sempre a seu critério . O importante é que se atinja o objetivo .

Espero que este programa auxilie os que tão nobremente se propõe a árdua tarefa
de ensinar e ao mesmo tempo reconfortante em saber que estamos comprometidos com o intuito de preservar e divulgar o nobre esporte ciência que é o aeromodelismo VCC.

Bons vôos!!
Reinaldo Rodrigues
Instrutor Oficial da A B A
BRA 1 3 8